O Canhoto lamenta e discorda
O Canhoto lamenta, e discorda, que o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros afirme que “Portugal lamenta e discorda da publicação de desenhos e/ou caricaturas que ofendem as crenças ou a sensibilidade religiosa dos povos muçulmanos”.
O Canhoto lamenta, e discorda, que o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros entenda, em nome de Portugal, que o desrespeito dos “símbolos fundamentais da religião que se professa” constitui uma violação da liberdade, nada dizendo, no entanto, sobre os ataques violentos à liberdade em nome da indignação religiosa.
O Canhoto lamenta, e discorda, que o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros se pronuncie sobre esta crise, em nome de Portugal, sem uma palavra de solidariedade para com a Dinamarca e os outros países europeus que estão a ser alvo do extremismo fundamentalista islâmico e sem nunca referir que, em democracia, divergências sobre matéria de opinião se resolvem nos tribunais.
O Canhoto lamenta, e discorda, que o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros recuse, em nome de Portugal, que a liberdade de expressão inclua a liberdade de alguém dizer publicamente aquilo que mais choca outros. Não há liberdade de expressão quando apenas se publicam as opiniões que não ofendem alguém.
[Ver Declaração do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros sobre a crise dos cartoons (2006/02/07)]