terça-feira, 18 de outubro de 2005

SIS: dar atenção à história

Ontem, segundo os jornais, foi empossado um novo Director do SIS. Pergunto-me que perfil deve ter o Director de um organismo com estas características. Um magistrado? Parece razoável, embora também encontremos magistrados, frequentemente, à frente de polícias de investigação criminal e seja necessário deixar claro que o SIS não é e não quer ser uma polícia.
Infelizmente, no entanto, a estratégia de comunicação da instituição não tem sido brilhante nessa demarcação. Fui, por isso, repescar um post que aqui deixei no dia dos 30 anos da fuga dos agentes da PIDE de Alcoentre. Deixemos, por agora, de lado o facto de que continua a não haver suficiente investigação histórica (ou outra) de tão estranha fuga ou a preocupação por sabermos tão pouco sobre como se desliga (e liga) o passado da função segurança com o presente dos organismos existentes.
A antecessora do novo Director deixou-lhe um site oficial que me causa, no capítulo da história, uma sensação estranha.
Nota-se o cuidado em informar-nos que a instituição não é uma polícia. Mas percebe-se mal porque têm a PVDE e a PIDE direito à sua própria página na história do SIS, sugerindo, queira-se ou não, uma continuidade perturbadora, mesmo que saibamos que essas polícias também eram serviços de informações.
A iconografia da página causa ainda maior perplexidade. Porque terá sido decidido digitalizar, publicar e manter até hoje online o cartão da PIDE do seu último director, Silva Pais?
A par de mil outras tarefas, o Senhor Director podia pedir a uma equipa de historiadores que trabalhasse a história da casa e reequilibrasse a iconograifa do site oficial. Os símbolos fazem parte da realidade e a informação é um assunto sério.